quarta-feira, 7 de agosto de 2019

Decifrar meu nome

Caminho milhas até chegar ao ponto
Essa terra vazia, deveria ser parte de mim
Eu tento ficar acordado
e
decifrar meu nome
Eu tento motivar a minha atenção 
Mas esse horizonte é tão findo 
E a neblina por trás dessa cortina de sensações 
É (in)finita na mesmíssima coisa humana 
Ao redor estão jarros do cotidiano
plantados ceticamente sob a vergonha do homem
Ainda tento me lembrar, desse lugar
Mas essa refutação , essa vergonha latente 
Sobreviveu aos meios e calculou os fins
Um pouco de tempo, um tabaco
E estou pronto para outra 


Charles Bukowski

[Para Felix Stefanile]
19 de setembro de 1960
Nenhum "rato de biblioteca ou maricas" eu sou...
Sua crítica correta: poema submetido era largado, desleixado, repetitivo, mais eis aqui o fulcro: não consigo TRABALHAR um poema. Poetas demais trabalham seu material conscientemente demais, e quando você vê o trabalho deles publicado eles parecem estar dizendo... veja só, meu velho, dê uma olhada neste POEMA. Eu até poderia dizer que um poema não deveria ser um poema, mas mais um naco de algo que calhou de sair direito. Não acredito em técnica ou escolas ou maricas... acredito em agarrar as cortinas como um monge bêbado... e arrancá-las, rasgá-las, rasgá-las, rasgá-las...
Espero lhe submeter algo de novo, e, acredite em mim, aprecio muito mais uma crítica do que um "sinto muito" ou "não" ou "abarrotados".

Charles Bukowski in Escrever Para não enlouquecer